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Pais e filhos da música: 6 parcerias que atravessaram gerações

  • Foto do escritor: Arthur Líbero
    Arthur Líbero
  • há 3 dias
  • 6 min de leitura

Por Arthur Líbero


A música pode ser uma herança passada de geração em geração. Em algumas famílias, o talento artístico ultrapassa a influência dentro de casa e chega aos palcos, aos estúdios e às plataformas de streaming. Pais que já construíram carreiras consolidadas encontram nos filhos novos parceiros para dividir canções e, em alguns casos, criar projetos inteiros juntos.


No Brasil e no exterior, são vários os exemplos de artistas que transformaram essa relação familiar em parceria musical. Relembre cinco encontros entre pais e filhos que ficaram marcados na música.


Caetano Veloso e Moreno, Zeca e Tom Veloso

Quando o assunto é música passada de geração em geração, a família de Caetano Veloso é um dos exemplos mais marcantes da música brasileira.


O cantor e compositor baiano tem três filhos que também atuam na música: Moreno Veloso, Zeca Veloso e Tom Veloso. Os três seguiram caminhos próprios dentro da arte, mas em 2017 se reuniram ao pai para um projeto que transformou a família em uma verdadeira banda. O resultado foi “Ofertório”, projeto registrado ao vivo no Theatro Net São Paulo e lançado em 2018 em CD, DVD e plataformas digitais. O trabalho reuniu Caetano, Moreno, Zeca e Tom em um repertório que passeou por clássicos da carreira do pai e por composições dos filhos.


(créditos: reprodução/Instagram)
(créditos: reprodução/Instagram)

Entre as músicas apresentadas está “Todo Homem”, composição de Zeca Veloso que ganhou destaque no projeto. A faixa se tornou uma das principais contribuições da nova geração da família ao repertório do espetáculo. Moreno, o filho mais velho, já havia desenvolvido uma trajetória própria como cantor, compositor e produtor. Sua relação musical com o pai também aparece em trabalhos anteriores: os dois, por exemplo, são parceiros na canção “Sertão”.


Tom, por sua vez, teve participação importante na construção do repertório de “Ofertório”. Foi ele quem sugeriu “O Seu Amor”, composição de Gilberto Gil, para o espetáculo. A música acabou sendo lançada como single do projeto em uma gravação de Caetano, Moreno, Zeca e Tom. Assim, “Ofertório” não foi apenas um encontro entre um dos maiores nomes da MPB e seus filhos. O projeto também mostrou quatro artistas de uma mesma família dividindo responsabilidades criativas e apresentando diferentes gerações da música brasileira no mesmo palco.




Entre os destaques está “Todo Homem”, composição de Zeca Veloso que ganhou espaço no repertório do projeto. A música ajudou a apresentar ao público a identidade artística própria de Zeca, ao mesmo tempo em que estabelecia um diálogo direto com a obra do pai. O projeto ainda recuperou uma história antiga da família: “Um Canto de Afoxé para o Bloco do Ilê” nasceu de uma parceria entre Caetano e Moreno quando o filho tinha apenas nove anos. A composição foi originalmente registrada no álbum “Cores, Nomes”, de 1982, e décadas depois voltou ao repertório familiar em “Ofertório”.


Xororó e Sandy & Junior

A música está na família de Chitãozinho & Xororó há gerações. Filhos de Xororó, Sandy e Junior cresceram acompanhando a carreira do pai e do tio e começaram a cantar ainda crianças. O incentivo da família foi fundamental para o início da trajetória da dupla, que mais tarde se tornaria um dos maiores fenômenos da música pop brasileira.


(créditos: reprodução/Instagram)
(créditos: reprodução/Instagram)

A relação entre as gerações também chegou aos palcos. Chitãozinho & Xororó dividiram apresentações com Sandy & Junior em diferentes momentos, aproximando o sertanejo que marcou a carreira dos irmãos do pop que os filhos construíram.


Apesar da influência familiar, Sandy & Junior desenvolveram uma identidade própria, incorporando elementos de pop e rock ao sertanejo de suas primeiras gravações. A trajetória da dupla mostrou como um legado musical pode ser transformado sem perder suas raízes. A família também continuou ligada à música nas gerações seguintes. Enrico, filho de Chitãozinho, seguiu carreira como cantor, mantendo a tradição musical da família.



Fábio Jr. e Fiuk

Se existe uma música que representa a passagem de uma geração para outra na família de Fábio Jr., é “20 e Poucos Anos”. Lançada originalmente por Fábio Jr. em 1979, a canção se tornou um dos sucessos da carreira do cantor. Mais de três décadas depois, em 2010, ele gravou uma nova versão da música ao lado do filho Fiuk para o especial de fim de ano “Tal Filho, Tal Pai”. O dueto posteriormente foi lançado como single.


(créditos: reprodução/TV Globo)
(créditos: reprodução/TV Globo)

A parceria também chegou aos palcos e ganhou registro ao vivo. O encontro entre os dois acabou funcionando como uma espécie de passagem simbólica de bastão: uma música associada à juventude de Fábio Jr. passou a ser interpretada também pelo filho, que naquele momento construía sua própria carreira artística.



Zezé Di Camargo e Wanessa Camargo

A relação musical entre Zezé Di Camargo e Wanessa Camargo foi além de participações pontuais e acabou se transformando em um projeto próprio. Em 2022, os dois lançaram “Daqui a 20 Anos”, primeiro single do projeto “Pai & Filha”. A iniciativa reuniu o sertanejo de Zezé com a experiência de Wanessa no pop e nasceu de uma ideia que os dois já carregavam havia anos.


(créditos: reprodução/Instagram)
(créditos: reprodução/Instagram)

O projeto também ganhou um álbum colaborativo, “Pai & Filha”, que trouxe músicas inéditas, regravações e uma nova versão de “É o Amor”, um dos maiores sucessos de Zezé Di Camargo & Luciano. A parceria ainda foi registrada na série documental “É o Amor: Família Camargo”, aproximando a música da intimidade da família e mostrando os dois trabalhando juntos. Mais do que uma colaboração entre dois artistas conhecidos, o projeto representou o encontro de duas gerações que seguiram caminhos diferentes dentro da música brasileira.



Billy Ray Cyrus e Miley Cyrus

A história de Billy Ray Cyrus e Miley Cyrus também começou dentro de casa, mas ganhou proporções internacionais. Billy Ray, conhecido principalmente pelo sucesso country “Achy Breaky Heart”, acompanhou de perto o início da carreira da filha, que se tornou mundialmente conhecida como protagonista de “Hannah Montana”.


(créditos: reprodução/Getty Images/DCP)
(créditos: reprodução/Getty Images/DCP)

Os dois chegaram a gravar juntos “I Learned From You”, lançada na trilha sonora de “Hannah Montana” em 2006. A faixa é um dueto entre Miley e Billy Ray e foi uma das primeiras oportunidades de ouvir pai e filha dividindo os vocais em uma gravação oficial.

No ano seguinte, a parceria ganhou ainda mais destaque com “Ready, Set, Don't Go”.



Billy Ray havia escrito a música anos antes, inspirado no momento em que Miley se mudou para Los Angeles para seguir sua carreira artística. A versão em dueto foi lançada em 2007 e apresentada pelos dois no programa “Dancing with the Stars”.

A música acabou se tornando um dos símbolos da relação artística entre os dois. Em 2026, Billy Ray voltou a cantar a faixa em uma publicação dedicada à família, mostrando como a canção continua associada à trajetória de Miley e ao início de sua carreira.

Almir Sater e Gabriel Sater

No universo da música sertaneja de raiz e da viola caipira, Almir Sater e Gabriel Sater representam uma das mais conhecidas duplas de pai e filho da atualidade.

Filho de Almir, Gabriel construiu sua própria carreira como cantor, compositor e instrumentista, mas a ligação musical entre os dois ganhou um capítulo especial após a participação de ambos na novela “Pantanal”. Na produção, eles interpretaram personagens de gerações diferentes e protagonizaram um duelo de violas que chamou a atenção do público.


(créditos: Renato Pagliacci)
(créditos: Renato Pagliacci)

A parceria musical propriamente dita veio em seguida. Em dezembro de 2022, Gabriel lançou “Voa Vagalume”, primeira canção que os dois compuseram, tocaram e cantaram juntos. A melodia foi criada por Gabriel, recebeu letra de Luiz Carlos Sá e ganhou a participação de Almir na gravação.



O encontro tem um significado especial porque Gabriel cresceu tendo o próprio pai como uma das principais referências musicais. Ao longo de sua carreira, ele construiu uma identidade própria, mas mantém na viola e na música regional elementos da tradição familiar. Até os dias de hoje, os dois ainda fazem shows juntos pelo Brasil inteiro.


Quando o talento vira legado

Apesar de serem pais e filhos, as histórias de Caetano e Zeca Veloso, Fábio Jr. e Fiuk, Zezé Di Camargo e Wanessa Camargo, Billy Ray e Miley Cyrus e Almir e Gabriel Sater mostram que seguir os passos dos pais não significa necessariamente repetir a mesma trajetória. Cada filho encontrou seu próprio caminho artístico, enquanto os encontros com seus pais criaram momentos únicos. Em alguns casos, nasceram de uma única canção; em outros, transformaram-se em álbuns, turnês e projetos completos. No fim, a maior herança talvez não esteja apenas no sobrenome ou no talento, mas na possibilidade de transformar experiências compartilhadas em música, e fazer com que uma história familiar também passe a fazer parte da história do público.

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