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Crítica: "Michael" vence na forma, mas perde em conteúdo

  • Foto do escritor: Arthur Líbero
    Arthur Líbero
  • há 12 horas
  • 3 min de leitura

Por Arthur Líbero


Michael Jackson era um gênio. Um artista que conseguiu redefinir o pop não só na música em si, mas também na estética e no marketing. Sua visão ajudou a transformar o artista pop em um produto audiovisual completo, algo que hoje parece natural, mas que, à época, ainda estava em construção.


Na estética e no marketing, ele foi, junto da Madonna, um dos pioneiros a investir nos videoclipes como forma criativa de divulgação do seu trabalho. Mais do que simples peças promocionais, seus clipes se tornaram verdadeiros eventos culturais, impulsionados por canais como a MTV, que ajudaram a consolidar essa linguagem como parte essencial da indústria musical. Produções como Thriller e Billie Jean não apenas ampliaram o alcance de sua música, como também redefiniram o padrão de qualidade e ambição narrativa dos videoclipes.


(créditos: divulgação/Lionsgate)
(créditos: divulgação/Lionsgate)

No som, ele criou um gênero próprio de fazer música pop, no qual mesclou a soul music com o rock, o funk e o R&B, utilizando essa fórmula com maestria nos discos Off The Wall e Thriller. Este último superou 120 milhões de cópias vendidas mundialmente e se tornou o álbum mais vendido da história, um feito ainda não superado. O estilo musical criado por Michael, ao qual me refiro, influenciou diretamente o som de artistas como Justin Timberlake, Bruno Mars e The Weeknd, que herdaram tanto a sonoridade quanto a preocupação estética e performática.


Agora, sobre Michael, a cinebiografia lançada esta semana, ela utiliza o que já se tornou uma tendência recente das produções do gênero: o foco em recriar grandes performances e tentar levar um pouco da experiência do ao vivo para o público. Essa escolha dialoga com o legado de Michael como performer, conhecido por transformar cada apresentação em um espetáculo visual e coreográfico altamente preciso. O que falar do filme? É mais uma bela homenagem e um tributo à figura de Michael Jackson, tanto como personagem quanto como artista. Isso não quer dizer que todos os fatos narrados sejam fidedignos à realidade. Muito pelo contrário. Para isso, seria necessária uma série documental bem longa para dar conta de narrar cada fase de sua carreira, marcada por transformações profundas, controvérsias e reinvenções ao longo de diferentes décadas.


(créditos: divulgação/Liongaste)
(créditos: divulgação/Liongaste)

A impressão é de que o filme foca muito em alguns assuntos e abandona outros. Há uma sensação de que existia uma versão mais extensa e detalhada sobre cada acontecimento de sua carreira e vida pessoal, mas vários desses momentos foram reduzidos ou cortados em função da duração do longa. Essa limitação acaba simplificando uma trajetória que, na prática, é tudo menos simples. Penso que uma cinebiografia verdadeiramente fidedigna a Michael deveria abordar sua relação conflituosa com a Motown, sua transição para a CBS Records e como seus produtores foram essenciais para a criação de seus álbuns, como Quincy Jones (foto abaixo) e Rod Temperton. Foram essas parcerias que ajudaram a lapidar o som que o transformaria em um fenômeno global, equilibrando inovação artística com apelo comercial.


Michael Jackson e Quincy Jones (créditos: Chris Walter/Getty Images)
Michael Jackson e Quincy Jones (créditos: Chris Walter/Getty Images)

No final, o filme acaba cumprindo um papel semelhante ao de Bohemian Rhapsody, que optou por reforçar o biografado como um grande mito, explorando apenas algumas de suas facetas e suavizando aspectos mais complexos de sua trajetória. É uma escolha narrativa que privilegia o espetáculo e a celebração em detrimento da profundidade. Ainda assim, vale a pena assistir. É uma boa experiência e cumpre a missão de aproximar novos públicos da figura de Michael Jackson, reacendendo o interesse por sua obra e lembrando por que ele continua sendo uma das maiores referências da história da música pop.

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